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Alexandre Wollner, o "avô" do Design Gráfico que nos deixou


Imagem de Alexandre Wollner acompanhado do título da publicação.


Era dia 4/05 (sexta-feira) próximo das 17h, eu estava no meio do expediente na editora, quando espiei o Instagram e vi isso:

Publicação do acervo NDesign sobre o falecimento de Alexandre Wollner. Na imagem, uma foto em estilo retrato (um senhor de cabelos grisalhos, óculos grande e pele branca) acompanhado do texto "Há 15 anos, Alexandre Wollner esteve no 13° #NDesign em BH, para lançar seu livro “Design visual 50 anos”. Vestiu a camisa do “Design de Buteco” (ao lado da prof.ª Adriana Valese e do prof. Eddy) e palestrou na tenda lotada. No vídeo, Wollner polemizava: 'Por que essa postura de artista?'"

A surpresa foi tamanha que precisei confirmar a informação, no caso foi pelo jornal Folha de S. Paulo. Pode até ser exagero da minha parte, mas meu estado de choque foi tanto que minha colega me perguntou o que havia acontecido, minha única resposta foi "alguém que eu admiro morreu". Sim, eu precisei dar uma pausa no trabalho e tentar falar com o Rennan, a única pessoa que eu tinha a certeza que iria me compreender por completo.

Se até aqui você não entendeu, explico: naquela sexta-feira foi noticiado o falecimento de Alexandre Wollner. Não, eu não o conheci pessoalmente. porém como disse Rennan pra mim naquela tarde, "é como se um parente tivesse morrido". E concordo plenamente com essa comparação – Wollner seria o “grande avó” da área do Design.

Eu reconheço que para hoje, século XXI, o trabalho dele não condiz com a estética, isso porque ele trabalhou no estilo modernista – muita geometria e uniformidade na construção de suas marcas. Contudo, pensando no quanto ele contribuiu para a construção gráfica brasileira é inegável - mesmo quem não atua na área, de alguma forma tem/teve contato com seu trabalho, seja pela marca da Philco ou do banco Itaú.

Identidades visuais criadas por Alexandre Wollner.
Relação de marcas criadas por Alexandre Wollner.

 Eu digo que ele é o “avô”, pois ele contribuiu na construção do curso de graduação na área do Design. Caso não saiba, antes da década de 60 não existia o curso de ensino ao Design (inclusive é comum arquitetos atuarem como designer, por ser a formação mais próxima). A Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), localizada no Rio de Janeiro foi fundada em 1962.  Um detalhe interessante é lembrar que em 1962 o presidente era JK – ou seja, aquela visão de “modernizar o Brasil” estava muito forte. E com o tempo, os alunos da ESDI foram convidados a construir novos cursos.

Para encerrar esse texto, fica aqui algumas recomendações:

  • Caso queria uma leitura academia, recomendo o trabalho de Izabel Maria de Oliveira intitulado “O ensino de projeto na graduação em design no Brasil: O discurso da prática pedagógica”. Em sua tese, ela faz uma revisão da história do ensino do design e discute a importância do processo de projetar e aspectos pedagógicos.  Link aqui

  • Para conhecer o Alexandre Wollner, desde a maneira como ele pensava até a sua contribuição para a história, existe dois livros:  o primeiro se chama Alexandre Wollner e a Formação do Design Moderno no Brasil. Esse material foi produzido por André Stolarski (que também já comentei nesse post aqui). É uma ótima conversa entre os dois na casa do Wollner, eles falam desde a carreira até sobre o design na cidade, ao passear pelas ruas de São Paulo. O livro pode ser comprado neste link. Já o segundo, foi escrito pelo próprio Wollner, chamado Design Visual: 50 anos. O livro é autobiográfico: desde seus trabalhos na década de 50 (trabalhos concretistas) até as identidades visuais. Inclusive, o projeto gráfico do livro ele mesmo que fez! O livro pode ser comprado neste link.

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