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Entrevista: Rubens Paiva


Nesse mês de julho, nós trazemos a entrevista com Rubens Paiva - Editor de Arte do Jornal O Globo. Nós conhecemos ele no evento do In.Rio (caso não saiba que evento é esse, veja nesse link), o que nos proporcional uma compreensão maior em relação a visualização de dados e infografia. Também é possível conhecer melhor ele pelo episódio 27 do visual+mente "O fim da Infografia". Caso deseja ver seu portfólio, veja esse link.

Qual foi seu primeiro contato com a infografia? Durante a faculdade já havia estudado algum sobre?
Acredito que foi nas páginas do jornal Correio Braziliense que tive meu primeiro contato com as infografias. Mas na época (início dos anos 90) eu não conhecia o termo "infográfico" e via aquelas imagens esquemáticas e gráficos como ilustrações.

Quando entrei na UnB em 1992 o curso de Desenho Industrial tinha uma grade curricular bem clássica (matemática 1 e 2, Física experimental e Introdução a Economia estavam lá) e não havia nenhuma disciplina que mencionasse a infografia (ou o design de informação em profundidade).

Foi só em 1996, já contratado como designer do Correio Braziliense que aprendi sobre infografia. Tive a sorte de fazer um curso rápido com o Jeff Goertzen (ex-editor de Arte do USA TODAY) e isso deu início a minha paixão pelos gráficos.

Quais projetos te marcou, positivamente e negativamente?
Acho que o projeto que mais me impactou foi a cobertura do atentado de 11 de setembro de 2001. Recebi um telefonema logo cedo naquele dia, era o Editor Assistente que participava da reunião da manhã: "Vem para o jornal urgente que o mundo está acabando". Foi um marco na minha carreira ter participado dessa cobertura tão importante.

Contudo, eu não tenho um projeto específico que tenha me marcado negativamente. O que é sempre negativo na minha profissão é perceber que os veículos de comunicação estão cada vez investindo menos em nossa área. Isso é um problema pois vejo muitas oportunidades de inovação sendo desperdiçadas por falta de software, curso de capacitação etc.


Na sua opinião, a infografia e a visualização de dados estão ainda mais evidência hoje em dia?
Com a internet ambos ganharam mais espaço. Principalmente com a possibilidade de se criar gráficos interativos e videográficos. A tecnologia nos permitiu reunir mais dados estatísticos e também agrupá-los e reordena-los rapidamente para nos ajudar a entender fenômenos complexos (criminalidade, desemprego, produtividade industrial, mercado de ações etc). Estamos na era da visualização de dados. Também o  acesso mais fácil em relação as ferramentas de criação também se popularizaram, com isso há mais pessoas criando infográficos atualmente.

Qual a importância da infografia para as mídias?
A internet mudou os hábitos de consumo de notícia, isso refletiu diretamente nas vendas do jornal impresso. Sendo assim, houve uma grande mudança na produção jornalística – pois a luta pela audiência na web é brutal. As redações precisam ser mais rápidas e atentas às necessidades e interesses do leitor, tornando um desafio e tanto para o jornal tradicional.

No oceano de informações da internet, um jornal só consegue se destacar, caso: ele dê a notícia primeiro; se ele consegue analisar primeiro; com profundidade e didatismo. Nesse último item, entra o papel da infografia, por se utilizar de recursos visuais. Assim consegue segurar o leitor imediatamente, permitindo que ele acesse a informação de uma maneira mais fácil.

O que faz um Editor de Arte no jornal? E o Diretor de Arte?
O Editor de Arte tem como função principal de assegurar o projeto gráfico do online e do impresso. além de direcionar a melhor abordagem para uma notícia (decidindo, por exemplo, como uma mesma notícia pode ser dada com recursos diferentes no impresso e na web).

Já o Diretor de arte, faz tudo isso sob uma ótica ainda mais abrangente. Ele precisa assegurar que todo o jornal seja coerente em seu discurso visual e isso engloba: Departamento de arte, Fotografia, Vídeo e até mesmo nas equipes de TI que desenvolvem produtos tecnológicos (como aplicativos) e novas funcionalidades para o site do jornal.

Como surgiu a ideia de realizar o In.Rio (evento realizado ano passado que tratava Infografia e jornalismo)? Pretende realizar outras edições?
O evento nasceu devido à lacuna deixada pelo Infolide (evento de design de notícias criado em SP, que deixou de ser feito). Assim, o In.Rio existe para continuar o sonho de Mario Kanno, pioneiro da infografia e idealizador do primeiro Lide (nome orginal).

Mario Kanno na abertura do 2° Lide (Fotografia: Mario Moreira).
Infografico produzido por Mario Kanno para o jornal Folha de S. Paulo sobre a maconha. Explicando sobre os efeitos causados no corpo e a parte legal.
(Infografia: Mario Kanno)
Tive a ideia de fazer o In.Rio, pois acredito, assim como o Kanno, que a infografia brasileira merece atenção e reconhecimento. O evento possui ainda como objetivo criar uma memória do design em relação as notícias brasileiras para assegurar que as novas gerações de profissionais tenham um caminho sólido para evoluir.


Indique 5 materiais para os nossos leitores (pode ser tanto livro, quanto vídeo).
(Neste caso, O Rubens indicou cinco materiais digitais bem legais e diferentes – recomendo ver no computador)

Museu do Amanhã (por dentro e por fora)

 Segredos Olímpicos - vários vídeos com infográficos que explicam algumas modalidades de esporte, como: tiro esportivo, boxe, vela e vôlei.

Meu Escuto meu: comparação entre vários escudos de time de futebol brasileiro.

Sobre os 50 personagens de Star Wars

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