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Espaço das tiras - transcrição


Tira 1:
Lá em casa jornal era coisa de domingo...
Os adultos liam os classificados e eu...
...as tiras.
O que me deu uma vontade louca de fazer as minhas.
Eu sonhava em publicar personagens meus no jornal.
Achava o máximo a ideia de que um dia alguém também poderia me ler aos domingos.
Mas comecei a publicar nos sábados! NA página dos leitores no suplemento infantil Gazetinha.
Os originais eu deixei na portaria. nem entrei na redação. Todo sábado fazia minha mãe comprar o jornal para ver se haviam sido publicadas.
Seis meses depois saiu a primeira.
Eu tinha 14 anos
Aquele foi o começo... 
 

Tira 2:
Durante boa parte da infância e a adolescência eu pisei em jornais.
Não nas redações, mas nos jornais que forravam os tapetes do carro do meu pai e também nos que encontrava perambulando ao lado do Estádio Pinheirão.
Eu catava anúncios dos filmes em cartaz no cinema e montava pastas com eles. Reunia tiras que ficava com dô de ver jogadas no chão...
... Porque eu queria mesmo era fazer parte daquelas páginas. Só não sabia como. Ainda mais recebendo algo por isso.
Numa conversa de ônibus soube de uma possibilidade. Munido de meu sobretudo de brechó e pasta de desenhos lá fui eu pisar pela primeira vez num jornal...

Tira 3:
Eu já tinha publicado minhas tiras nos jornais Gazeta do Povo e correio de noticias.
Mas estava precisando mesmo era ajudar com as despesas em casa. Então, antes que fosse  abduzido por algum estágio aleatório fui bater na porta do Jornal do Estado, indicado por um colega de colégio que trabalhava lá.
Mostrei meu trabalho amador de dar dó, e, por algum motivo, fui aceito.
Enquanto falava comigo, um frenético diretor de redação datilografou minha bizarra apresentação aos leitores.
Mas quem disse que eu ligava pra isso? O importante era que, à partir de outubro de 1991, eu receberia meio salário mínimo!
Nascia um eterno freelancer

Tira 4:
Depois do meu primeiro cancelamento foram quase cinco anos longe dos jornais. 
Quando um grupo de amigos e eu bolamos um super-herói lamentável, um deles, mais empolgado, o apresentou a um editor na Gazeta do Povo. 
Em 1998, O Gralha estreou no Caderno FUN!
Fiz a primeira aventura em 7 edições. Sem remuneração, mas na esperança do espaço vingar.
Vingou, virou renda e laboratório para vários autores que se revezaram tentando salvar aquele herói torto todas as sextas.
Só não conseguiram salvá-lo do decreto da nova editoria em 2000: "O tempo do gralha acabou!"
Mas pelo menos deu tempo de explodirmos Curitiba.

Tira 5:
Minha tira Folheteen estreou em 2001 no caderno Fun...
No Ano seguinte foi para o Jornal do Estado, onde ficou até 2005. 
...Que virou o caderno Gaz+, onde ela saiu até 2013.
Em 2016 voltou no primeiro caderno e...
Bem, o chato é que mesmo sobrevivendo a tantos cancelamentos...
Esta tira continua atual. 
"– Tem gente que não lê quadrinhos
 – Sério
–Mas tem muita gente que lê. Acredita que, quem não lê acha superfluo?
– impressão minha ou você quer dizer que este não é um emprego muito estável?"
 
Tira 6:
Um elogio a todos os meus anos fazendo tirar por aqui: Sempre tive total liberdade neste espacinho.
Especialmente desde 2011, na série nada com coisa alguma!
Ninguém reclamou se aqui me posicionei politicamente em sentido oposto ao do jornal.
Ou se desenhei gesto obceno.
Nem de meus experimentos narrativos...
... E visuais.
Ou de um ou outro reaproveitamento descarado de ideias...
Talvez porque cada tira foi feita com uma grata motivação em mente: vai que você está lendo!


Tira 7:
Valeu, jornal impresso! Mas chegou o dia da despedida!
Obrigada especialmente pela primeira tira, publicada lá no distante 29 de julho de 1989. 
Foi o incentivo que fez não parar mais de correr... 
...Quando teria sido mais fácil ficar sonhando sozinho com o velho boi.
Sigo grato pelo espaço onde cresci e especialmente...
Pelos leitores com quem compartilhei risos, críticas, opiniões, lágrimas e inspirações.
Tudo aquilo que faz de um jornal mais que um punhado de notícias.
e que cabe bem numa tira.
Obrigado e até a próxima! 

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